22 de março de 2017

En Paz por Amado Nervo ( Poema )



Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, vida, 
porque nunca me diste ni esperanza fallida, 
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida; 

porque veo al final de mi rudo camino 
que yo fui el arquitecto de mi propio destino; 

que si extraje las mieles o la hiel de las cosas, 
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas: 
cuando planté rosales, coseché siempre rosas. 

...Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno: 
¡mas tú no me dijiste que mayo fuese eterno! 

Hallé sin duda largas las noches de mis penas; 
mas no me prometiste tan sólo noches buenas; 
y en cambio tuve algunas santamente serenas... 

Amé, fui amado, el sol acarició mi faz. 
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos en paz!


* Imagem SEÑOR Aldo Couto , blog http://interald.blogspot.com.br/


20 de março de 2017

A Vaca por José Saramago.



...” Que história é essa, perguntou o comandante, A história de uma vaca, As vacas têm história, tornou o comandante a perguntar, sorrindo, Esta, sim, foram doze dias e doze noites nuns montes da galiza, com frio, e chuva, e gelo, e lama, e pedras como navalhas, e mato como unhas, e breves intervalos de descanso, e mais combates e investidas, e uivos, e mugidos, a história de uma vaca que se perdeu nos campos com a sua cria de leite, e se viu rodeada de lobos durante doze dias e doze noites, e foi obrigada a defender-se e a defender o filho, uma longuíssima batalha, a agonia de viver no limiar da morte, um círculo de dentes, de goelas abertas, as arremetidas bruscas, as cornadas que não podiam falhar, de ter de lutar por si mesma e por um animalzinho que ainda não se podia valer, e também aqueles momentos em que o vitelo procurava as tetas da mãe, e sugava lentamente, enquanto os lobos se aproximavam, de espinhaço raso e orelhas aguçadas, ...Ao fim dos doze dias a vaca foi encontrada e salva, mais o vitelo, e foram levados em triunfo para a aldeia, porém o conto não vai acabar aqui, continuou por mais dois dias, ao fim dos quais, porque se tinha tornado brava, porque aprendera a defender-se, porque ninguém podia já dominá-la ou sequer aproximar-se dela, a vaca foi morta, mataram-na, não os lobos que em doze dias vencera, mas os mesmos homens que a haviam salvo...”


                                      Livro -  A Viagem do Elefante, de José Saramago,  pag 114/115 


16 de março de 2017

Crônicas do Cotidiano - Talvez, Mario Benedetti tenha razão.




Não sei o que está acontecendo, mas estes últimos dias, minha bicicleta anda tão sentimental quanto à tangueira de Aníbal Troilo. Outro dia, eu flagrei-a entrelaçada a outra bicicleta, lá na farmácia. Que vergonha! Não sabia onde enfiar a minha cara. Estava toda faceira, piscava o farol e tudo. Essa já não era a primeira vez. Longe disso! Meu tio disse que ela está precisando de um perto de parafusos. Mas será que é somente isso?

 Resolvi seguir seu conselho. Domingo tirei o dia para uma faxina geral lavei, escovei, limpei aros e apertei parafusos. Tudo corria às mil maravilhas, até pararmos no posto de gasolina (precisar calibrar os pneus), e ela se jogar para cima de uma Monark Ceci. É... Não tem jeito!


Talvez, Mario Benedetti tenha razão: “Todos precisamos alguma vez de um cúmplice, alguém que nos ajude a usar o coração”.


12 de março de 2017

Caixa do Correio # 23 ( Garimpagem Sebo de Mogi )



1. A Viagem do Elefante –  José Saramago  I 2. Geografías – Mario Benedetti * 

Se você for novo por aqui, talvez não saiba do meu amor pelo Maestro Mario Benedetti. Procure pelo post - minha coleção de livros do escritor Mario B. São 18 livros, se eu não estiver equivocado.


               ETIQUETA: JOSÉ SARAMAGO 

José Sousa Saramago nasceu no dia 16 de novembro de 1922, na aldeia ribatejana de Azinhaga (Goligã), uma aldeia ao sul de Portugal. Em 18 de junho de 2010, aos 87 anos, faleceu em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Com dois anos mudou-se com a família para Lisboa, por causa das dificuldades econômicas o menino não passou dos estudos secundários. Contudo, aos 11 anos ganhou de sua mãe um livro chamado “O Mistério do Moinho”, e desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita.

Reconhecido como um autodidata, Saramago antes de se dedicar exclusivamente à Literatura, trabalhou como serralheiro, mecânico, desenhista industrial e gerente de uma editora. Apreciava tudo que chegava às mãos, lendo bastante, ampliando assim seus conhecimentos.

Em 1944, Saramago casou-se com Ilda Reis, uma pintora com a qual teve uma filha, Violante. No ano de 1947 publicou sua primeira novela “Terra do Pecado”. Nesse tempo trabalhou como crítico literário em revistas e no Diário de Lisboa.

O escritor divorciou-se da mulher na década de 70, se tornou editor do Diário de Notícias.

Em 1974, editou um livro de crônicas políticas, foi contratado para trabalhar no Ministério de Comunicação Social e nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias. Nesse mesmo ano ficou desempregado, resolveu se dedicar totalmente à produção textual; e produziu “Levantado do chão”, obra lançada em 1980, que lhe rendeu sucesso e o Prêmio Cidade de Lisboa.

No ano de 1991, o escritor publicou “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, essa obra foi censurada pelo governo, fato que o levou a exilar-se em Lanzarote, Ilhas Canárias (Espanha), local onde vive até hoje com a atual esposa, a espanhola Pilar del Rio.
Em 1998, Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, ele foi o primeiro autor de Língua Portuguesa a receber tal prêmio.

Suas obras foram publicadas na Espanha, França, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Grécia, Brasil, Bulgária, Polônia, Cuba, União Soviética, Dinamarca, Israel, Noruega, Romênia, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Japão, Hungria, Suíça, Argentina e México.

Suas principais obras são:

Poesia 

Os Poemas Possíveis, 1966
Provavelmente Alegria, 1970
O Ano de 1993, 1975

Crônica 

Deste Mundo e do Outro, 1971
A Bagagem do Viajante, 1973
As Opiniões que o DL teve, 1974
Os Apontamentos, 1976

Teatro 

A Noite, 1979
Que Farei Com Este Livro?, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993

Conto 

Objecto Quase, 1978
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979

Romance 

Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a Cegueira, 1995
Terra do Pecado, 1947
Todos os Nomes, 1997.

A Viagem do Elefante, 2008 


10 de março de 2017

Manteiga Ghee – Como clarificar e purificar sua manteiga.




Faz alguns meses que eu estou tomando o conhecido - Café à prova de balas ou  Bullet proof coffee (  receitas do youtube ). Até então, comprava a manteiga Ghee por R$ 36 reais, numa venda natureba perto de casa. Foi aí, que encontrei esse site, e resolvi clarificar a minha própria manteiga. Hoje pago R$ 6,00 na manteiga extra sem sal, marca Aviador. 

Essa manteiga é muito utilizada na culinária asiática, principalmente pelos indianos que são vegetarianos (a maioria), ela é clarificada para retirar a lactose e algumas impurezas, eu já vi essa manteiga para vender, mas como é bem fácil de fazer em casa, eu nunca mais comprei.

Veja alguns benefícios da clarificação da manteiga: 

Dura mais, se ficar fora da geladeira dura 3 meses e guardar na geladeira dura cerca de 2 anos, algumas pessoas dizem que dura até mais, mas nunca cheguei até esse período para conferir. 

Não causa alergias, a maioria das pessoas que são intolerantes a lactose ou a caseína não sentem nenhuma intolerância ao consumir a Ghee. 

A Ghee contem ácidos graxos, vitamina A e E, K2 e CLA (Conjugated Linoleic Acid) que é antioxidante. Principalmente se a manteiga for orgânica. 

Como a lactose é retirada, a manteiga ghee é mais probiótica e prebiotica, pois contem ácido butírico que serve como fonte de energia para as bactérias intestinais boas proteger o nosso intestino.


Ingredientes

1 tablete, pote ou lata de manteiga de sua preferência.


Como fazer 


Coloque a manteiga para derreter em fogo bem baixo, o mais baixo que seu fogão tiver. Para evitar com que queime.

 Ao derreter vai começar a ferver levemente e subir a espuma.

 Ao subir a espuma, desligue o fogo, e retire-a com uma escumadeira ou colher, se ficar alguns pedaços não se preocupe, pois vamos coar. 

Enquanto você retira a espuma com o fogo desligado, a lactose vai assentar no fundo da panela.

 Então em uma tigela, coloque o coador e um tecido de queijo (pano morim) ou tecido de fralda e comece a passar a parte mais clara da manteiga com cuidado para não cair a lactose do fundo. 

Coloque em um pote para guardar e pronto.

Essa receita eu tirei do site  http://emagrecercerto.com/manteiga-ghee-como-clarificar-e-purificar-sua-manteiga.  






8 de março de 2017

Si Dios fuera una mujer, por Mario Benedetti ( Poema )




¿Y si Dios fuera mujer? 
pregunta Juan sin inmutarse, 
vaya, vaya si Dios fuera mujer 
es posible que agnósticos y ateos 
no dijéramos no con la cabeza 
y dijéramos sí con las entrañas. 

Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez 
para besar sus pies no de bronce, 
su pubis no de piedra, 
sus pechos no de mármol, 
sus labios no de yeso. 

Si Dios fuera mujer la abrazaríamos 
para arrancarla de su lontananza 
y no habría que jurar 
hasta que la muerte nos separe 
ya que sería inmortal por antonomasia 
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico 
nos contagiaría su inmortalidad. 

Si Dios fuera mujer no se instalaría 
lejana en el reino de los cielos, 
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno, 
con sus brazos no cerrados, 
su rosa no de plástico 
y su amor no de ángeles. 

Ay Dios mío, Dios mío 
si hasta siempre y desde siempre 
fueras una mujer 
qué lindo escándalo sería, 
qué venturosa, espléndida, imposible, 
prodigiosa blasfemia.



Feliz dia da Mulher...

26 de fevereiro de 2017

" Amo o Carnaval ! " por Leandro Karnal





Só danço para acasalamento e, ainda assim, de forma pouco graciosa. Isso ajuda a explicar a escassez de acasalamentos recentes. Só bebo vinho tinto e minha resistência limita-se a duas taças. Tenho dificuldades em me alcoolizar. Uma noitada em claro hoje, para mim, é um sofrimento. A farra estraga o dia seguinte, o corpo se ressente, a mente fica turvada. Amo o carnaval. Contradição?
As estradas lotam. Os hotéis inflacionam suas tarifas. Locais paradisíacos ficam mais próximos do inferno com uma multidão de foliões. Uma vez, na mágica Olinda, um guia me disse que as casas alugadas no carnaval eram tomadas por blocos ao amanhecer. Os invasores despertavam foliões que tivessem ousado dormir. Eu pensei: “E alguém paga para isso?”. Amo o carnaval. 
A televisão mostra desfiles intermináveis. O impacto visual é grandioso. Os corpos são perfeitos, o samba toca com o ritmo das batidas cardíacas e a criatividade é intensa. Porém, para um não especialista como eu, há uma semelhança notável nos desfiles de todos os anos. Olho para aquilo com o tom que um aluno, há muitos anos, analisou uma série de cantos gregorianos que usei para ilustrar uma aula sobre a Idade Média: “Professor, é tudo igual!” Sei que ele, não distinguindo modos (dórico, frígio, etc.) e não percebendo cadências do cantochão, só poderia ver linearidade repetitiva. Provavelmente, minha ignorância sobre samba produz algo similar. Amo o carnaval. 
Afinal, o que ama em uma festa alguém que acaba de dizer que não gosta de quase nada dela? Amo isso que eu e você estamos fazendo, caro leitor e querida leitora. Amo este domingo mais livre, com a cidade quase despovoada, com uma paz intensa que permite ler seu Estadão em papel ou na tela com uma tranquilidade distinta do usual. Amo esta pasmaceira de feriado, ir ao cinema, adentrar restaurantes ermos, andar pela cidade de São Paulo com sua humanidade restaurada e árvores que farfalham livres do tsunami humano. Amo o carnaval.
São Paulo foi tomada de uma solene alegria silenciosa. Claro que há carnavalescos aqui, que o digam pessoas da Vila Madalena ou próximas a escolas de samba. Mas, como um todo, temos uma espécie de Nova York do filme/livro Eu Sou a Lenda. Na obra, a personagem central vaga por uma metrópole deserta na qual ele é o senhor, ao menos durante o dia. Faltam apenas aqueles arbustos secos dos filmes de faroeste clássicos, rolados pelo vento em meio ao nada, para caracterizar a desolação maravilhosa. 
Detesto aqueles intelectuais tradicionais que torcem o nariz para o samba. Poucas coisas são tão vivas e criativas como nosso samba. É uma festa para os olhos ver um casal sabendo sambar e o fazendo com entusiasmo. A vida exsuda por todos os poros. Admiro toda pessoa que dança com vitalidade. Minha inépcia patética na arte não invalida nada, pelo contrário, destaca que não basta querer para ter desenvoltura. 
Atendidos aos justos reclames dos filhos de Momo que poderiam se sentir desprezados pela minha distância, volto ao meu refúgio: São Paulo no carnaval. Como combinar duas coisas excludentes? A força da cidade grande (com sua variedade de cinemas, teatros e restaurantes) com a paz da cidade pequena? Como fazer a vida ser menos estressante sem que seja monótona? Como viver sem tédio? Como ser metraldeia (metrópole com aldeia) ou vilalópole (vilarejo com metrópole)? Pois bem: esta é São Paulo no carnaval. Cruza-se o melhor de dois mundos. A vida sem filas é a vida de verdade. 
Os jornais foram lidos com vagar e prazer. Cada refeição ganhou foro de festa de Babette. Toquei Bach ontem e cada nota pareceu ecoar na sala de forma mais sofisticada do que a singeleza do meu piano e o limite do meu talento pareceriam indicar. Abri um vinho das encostas do Ródano com referência aos papas que lá moraram. Fui ao cinema. Li muito, muito mesmo. Estudei um tema complexo para minhas aulas e tomei notas por horas. Comprei coisas no super como quem frequenta o Gran Bazar de Istambul, olhando o colorido, conversando, tomando ameixas por turquesas e rabanetes por rubis. Só existe imaginação quando o tempo flui sem controle e o meu relógio entrou em coma na sexta. Ainda é domingo e a felicidade já é intensa. Há endorfinas em excesso até a Quarta de Cinzas. Amo muito, intensamente, apaixonadamente, o feriado de carnaval.

Discorda? Pegou a estrada? Está no litoral, em um clube com marchinhas ou sendo despertado em Olinda? Parabéns. Continue assim. Convença mais gente da alegria disso e, nos próximos anos, aumente o êxodo. Eu continuarei aqui, tão feliz que, confesso, tenho vontade de uivar para a Lua esta noite. Não haverá problema: a alcateia está longe. Quarta tem Quaresma e gente voltando. Até lá ouço a cantata do silêncio e, talvez, dance um pouco, só para acasalar. Bom domingo a todos vocês!
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,amo-carnaval,70001679176